um lugar para descobrir uma lenda

>> domingo, 21 de novembro de 2010


depois de almoçar na Antica Macelleria Cecchini (é só clicar no nome para ir ao site do restaurante - deveria ter colocado isso no último post, eu sei... rs!) seguimos até uma vinícola chamada Vignamaggio.

(a entrada)

mas não fomos para degustar vinhos. fomos buscar os vasos e enfeites que ficaram por lá depois do casamento organizado por joelle.

e, como tudo nessa viagem, o menos importante de estar em vignamaggio era fazer a degustação de vinho. o lugar é tão lindo que a vista já te faz perder o ar.




além disso, depois de estar em paris e ver a mona lisa, eu agora estava pisando no local onde ela nasceu e onde o quadro foi pintado! sim, reza a lenda que nessa casa rosa viveu mona lisa. por isso, estar nesse lugar é quase como fechar um ciclo.

(a casa da mona - a noiva se casou diante dessa casa)

(o jardim)

(mais jardim)

(aqui foi a festa do casamento)

(local de almoço e degustação de vinhos)

neste momento, vou abrir um parênteses aqui para falar sobre meu encontro com a monalisa no louvre.


o musée du louvre é incrível. incrível mesmo. tem tanta coisa lá que você fica maluco tentando escolher o que ver primeiro. e, se você gosta mesmo de museu como eu, conforme-se desde já com o fato de que não verá muita coisa porque o lugar é grande mesmo.

como toda boa turista, é claro que dei privilégio às obras mais famosas. na verdade, fiz isso como turista e apaixonada por arte, porque essas obras tem uma importância histórica e cultural únicas, então vale a pena vê-las por qualquer motivo.

assim que entrei no louvre, fui direto à área de pinturas renascentistas italianas (afinal, meu próximo destino era firenze, o berço do renascimento).



e em uma das salas daquele imenso corredor, se encontrava a mona lisa.


quando você entra na sala de La Gioconda, tem tanta, mas tanta gente, que chega a dar pânico.


e não há como não ficar desesperado. ao olhar aqueles milhares de orientais com suas câmeras, você sabe que precisará lutar bravamente para chegar perto do quadro mais famoso de leonardo da vinci.




e é uma luta cruel, porque essas pessoas não pensam duas vezes antes de te empurrar para conseguir "ver" o quadro. e, sabe, eu não sou boa nessa coisa de sair empurrando desconhecidos nos museus. sinto minha educação e civilidade irem para o ralo quando faço isso. mas eu fiz. afinal, era a monalisa!


agora, preciso confessar uma coisa: não tive uma experiência impactante com a obra. era tanta gente em volta, um empurra-empurra, e aquele vidro que protegia o quadro dando reflexo... enfim, observar a pintura, com calma e cuidado, não foi possível. e sim, o quadro é bem menor do que a gente imagina (pelo menos bem menor do que eu imaginava).


porém, foi graças à essa relação de conturbada distância com a mona lisa, que eu acabei me encantando com o imenso quadro na parede oposta à obra de da vinci.



aliás, quando entrarem nessa sala, percam muitos minutos (antes ou depois de entrar na muvuca da monalisa) admirando o impressionante "bodas de caná", do pintor italiano paolo veronese. é imenso, rico em detalhes, e você mal sabe para onde olhar, tentando absorver todo o conteúdo dessa pintura. gostei. muito.

mas... voltando à monalisa. independente de qualquer coisa,
EU VI A MONALISA!


agora posso dizer que sou uma dessas pessoas que viu a pintura mais famosa do mundo. e fiz o máximo que pude para testar aquela história do olhar e do sorriso da gioconda, tentando caminhar de um lado para o outro diante do quadro (sim, eu sou muito nerd de obra de arte. rs!).

e não é que, depois disso tudo, fui parar no lugar onde, alguns dizem, nasceu lisa gherardini, a musa do quadro de da vinci.

segundo a mesma lenda, foi em uma das janelas da casa central de vignamaggio que o famoso quadro foi pintado.
(e teria sido a primeira janela)
(- da direita para a esquerda  -)
(o cenário de fundo para o quadro de da vinci)

porém, existe um estudioso que desmente essa história.

segundo o professor giuseppe pallanti, autor de um famoso livro sobre a obra, mona lisa era casada com francesco del giocondo, um rico comerciante florentino, e por isso também ficou conhecida como “gioconda”. ela morava em frente à casa da família de leonardo da vinci, em firenze, cidade onde também teria nascido, no ano de 1479. a pesquisa de pallanti mostra que a mulher do sorriso enigmático teria sim vivido entre firenze e a região de chianti, mas não teria nascido em meio às vinícolas de vignamaggio.

ainda existem muitas teorias sobre a verdadeira história de mona lisa. até uma em que, na verdade, ela seria constanza d'avalos, amante de giuliano de medici, um mecena de leonardo da vinci.

de qualquer forma, o que vale pra mim é a lenda. e eu gostei de estar num lugar que belo e inspirador, perdido (mas nem tanto) num cantinho em greve in chianti...





p.s.: ah! aqui em vignamaggio também rodaram uma adaptação de "muito barulho por nada" (é um filme de 1993, baseado numa peça de shakespeare). não adianta, sempre acabo sendo levada a cenários de filmes, mesmo quando não os procuro. rs! =)

(olha a casa central de vignamaggio lá no fundo!)

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um homem para me inspirar

>> segunda-feira, 8 de novembro de 2010


(cara de acabada pós noite de roubo + queimada de sol)

esse é o post mais difícil de escrever. principalmente depois do que me aconteceu. confesso: relutei muito em voltar a escrever. mas sinto agora a necessidade de me reconectar com tudo o que vivi nos últimos 3 meses, enquanto estive na europa, particularmente na itália.

alguns de vocês já sabem a história, outros não. a verdade é que fui roubada na itália. sim, enquanto eu viajava para cinque terre, e conhecia praias maravilhosas, alguém entrou no apartamento em que eu morava e levou meu computador. com ele foram quase todas as fotos de paris. com ele foram embora meses de trabalho que levei para pagá-lo. sem ele, ficou a sensação de ser invadida e ter minha vida revirada.

eu fiquei mal. na verdade, eu fiquei MUITO mal. eu chorei. chorei litros. chorei por dias e noites.

foi uma coisa ruim que me aconteceu. por que o mundo tem pessoas ruins?! foi difícil entender. foi difícil aceitar.

mas esse roubo me levou a um lugar inesperado e me fez conhecer uma pessoa admirável, que eu nunca teria conhecido se isso não acontecesse.

sou escritora. sou roteirista. sou um pouco poeta. mas nem nos meus mais loucos devaneios poderia criar um personagem tão impressionante e vivo como DANTE.

não, não estou falando de dante alighieri. estou falando de DANTE, o garçom de um dos melhores restaurantes da região de Chianti.

no dia seguinte ao assalto, eu estava muito triste e então a JOELLE (dona do apartamento onde eu vivia e que também teve seu computador roubado) me convidou para ir com ela buscar algumas coisas do casamento que ela havia organizado.

JOELLE é uma inglesa muito simpática que organiza casamentos de ingleses na região da toscana (sim, os ingleses gostam de se casar na toscana. parece que há alguma relação entre a falta de sol em sua terra natal e o exceso de sol na toscana que os atrai).

enfim, foi um convite tentador para quem estava sofrendo como eu estava. mesmo desejando viver debaixo das minhas cobertas em pleno verão europeu, aceitei o convite. mal sabia eu que estava para viver um dos dias "mais únicos" da minha vida.


fomos pela estrada, no carro de joelle, e a sensação de começar a ver os vinhedos foi indescrítivel. era tudo como nas novelas e nos filmes. aquele lugar realmente existia e eu estava nele.





paramos para comprar uma água em greve in chianti...


 (pracinha - centro de greve)




(ok. obra de arte MEGA esquisita)

vimos um casamento bizarro em plena segunda-feira na hora do almoço...

 (vestido de gosto duvidoso)


e então seguimos para panzano in chianti.
chianti, na verdade, é uma região da toscana e não uma cidade, como muitos pensam. há várias cidades pertencentes a esssa região. e é por isso que dizemos greve in chianti, panzano in chianti e assim sucessivamente.

mas voltando a panzano in chianti...

lá, joelle me levou para almoçar na Antica Macelleria Cecchini.

(entrada pela parte do açougue)

quando você entra na Antica Macelleria Cecchini, vê carnes e alguns pães com patês deliciosos para provar (patês, pães e carnes que podem ser comprados).




é como um açougue com aperitivos. um lugar agradável apesar das carnes cruas. um lugar que encanta pelos sabores e pela recepção de dario cecchini, o dono.


a Antica Macelleria Cecchini é tão famosa que o jamie oliver (sim, aquele inglês da tv a cabo que ensina a cozinhar e comer melhor) foi aprender lições de culinária sobre carnes com o dario.

aqui também funciona uma escola para chefs de cozinha. dante me disse que tinha um rapaz de são paulo fazendo curso por lá, mas eu não o conheci porque ele estava de folga nesse dia.
enfim, voltando... mas o melhor acontece quando você sobe uma escadinha e chega ao restaurante.



ao ar livre, sentamos numa mesa agradável, com ar puro, no alto de morros que descem decorados por um tapete de uvas que começam a amadurecer.


(eu e joelle)
foi aí que conheci Dante, o garçom. ele veio nos receber, indicar uma mesa e nos servir com um sorriso no rosto e piadas engraçadas. Dante já conhecia Joelle e parecia ter um grande carinho por essa amiga que aparecia de vez em quando para animar seu dia.

(dante prepara seu molho secreto para os legumes)



(limões gigantes!!!)

ele nos serviu vinho, deu desconto na comida, apresentou limões gigantes e nos fez rir. era como se eu estivesse mais leve com aquela diversão toda.


e a comida lá é realmente deliciosa!

 (o cardápio!)

 (mesa posta!)

 (as carnes!)
(sushi de carne lá no fundo / comida mais deliciosa do universo!!!)

(carne com molho mais do especial - e apimentado!)

então, durante o almoço, Joelle me contou a história de Dante.

Dante perdeu a única filha e a esposa em um acidente. ela não sabia detalhes da história, mas sabia que desde então ele vivia trabalhando no restaurante e não formara outra família.

eu fiquei impressionada. aquele homem sofreu. sofreu de verdade. e ainda sofria. mas estava ali, rindo e me fazendo mais feliz em um momento difícil para mim, um momento que jamais poderia ser comparado à dor que ele vivera.

quando Dante voltou à mesa, ele trouxe um caderninho. queria nos mostrar o que escrevera durante suas férias de verão. Dante foi para a praia. ele dizia que a praia e o mar foram feitos para as pessoas andarem e nadarem sem roupa, para serem livres. e que um dia ele faria isso.

no caderno havia algumas poesias, desenhos, e relatos do que ele tinha feito em suas férias.

(dante mostra suas anotações, poesias e desenhos para joelle)
e foi no meio dessa conversa que ouvi uma das coisas mais belas da minha vida. Dante disse: "lo sai, la vita è stato bruta con me. ma che cosa devo fare? bere o matarmi? no, la vita è un regalo de Dio e io devo vivere e fare lo meglio che posso per essere felice" (você sabe, a vida foi dura comigo. mas o que eu devo fazer? beber ou me matar? não. a vida é um presente de Deus e eu devo viver e fazer o melhor que posso para ser feliz).

então eu entendi que fotos são apenas fotos. e um computador é apenas um computador.

esse homem perdeu a filha, a mulher, e ficou sozinho no mundo. ainda assim, esse homem faz piadas e ri. escreve poesias e desenha. e acha que a água é bela porque ela está repleta de peixes que fazem amor. rs!

Dante é uma dessas pessoas únicas. mesmo com a mais fértil das imaginações, eu jamais poderia criar um personagem como ele. Dante é um personagem belo, que existe, que é real. um personagem criado por Deus e que eu tive o imenso prazer de conhecer... =)

(dante em uma autofoto!)

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